27.10.05
Eu não sei:
1. Dirigir
2. Montar brinquedos tipo "Kinder-Ovo"
3. Cumprimentar decentemente alguém no aniversário
4. Dar pêsames
5. Cantar um homem pessoalmente (nunca, nunquinha tive coragem)
6. Bordar
7. Tocar violão (sou canhota, ninguém se animou a superar minhas tortices)
9. Conversar com estranhos em locais públicos
10. Caminhar devagar
11. Organizar festas
Eu sei:
1. Estralar todas as articulações possíveis do corpo, incluindo virilha, pulso, cotovelo, tornozelos, pescoço, tudo)
2. Dançar
3. Cantar
4. Fazer arroz de carreteiro
5. BEIJAR (e outras coisinhas mais)
6. Fazer tricô (well, mais ou menos)
7. Desenhar figuras humanas
8. Inglês
9. Cair no sono em 5 minutos ou menos
10. Escrever de cabeça pra baixo (não eu, o papel -- só escrevo assim, nem adianta tentar fazer como os destros)
11. Dar conselhos
12. Ouvir
13. Fazer 10 coisas ao mesmo tempo e todas direitinho (sou hiperativa, mais mental que fisicamente)
14. Enrolar meu corpo como uma mulher-elástica
15. Cuidar de uma criança
16. Cuidar de um homem
17. Cuidar de mim mesma
Tenho medo de:
1. Ter uma doença no cérebro
2. BARATAS
3. Perder mais alguém que eu ame para a morte
4. Ficar sem trabalho
Não tenho medo de:
1. Aranhas
2. Ratos
3. Morcegos
4. Solidão
5. Escuro
6. Alturas
7. Velhice
8. Temporais e raios
9. Pessoas
Detesto:
1. Fofocas
2. Gente fútil
3. Café frio
4. Alcione
5. Arroz esquentado
6. Gente bêbada
7. Falta de desafios
8. Lugares lotados
9. Espaços pequenos
10. Cama ruim
11. Banho frio
12. Gente pegajosa
13. Homens e mulheres vulgares
14. Gente lerda
15. Receber ordens
16. Verão
17. Gente muito formal
18. Pintar as unhas
Sou tarada por:
1. Homens
2. Sapatos
3. Perfumes
4. Sabonetes
5. Música
6. Espelhos
Eu nunca:
1. Viajei para o exterior
2. Andei de helicóptero
3. Entrei em coma
4. Fiquei bêbada
5. Usei drogas
6. Fiz aborto
7. Transei com mais de uma pessoa (ao mesmo tempo)
8. Discriminei ninguém por preferência sexual, cor, situação financeira, etc. etc. etc.
9. Passei dos 55 quilos de peso (atualmente estou com 55, meu recorde)
10. Transei com uma mulher
Eu já:
1. Fui atropelada (por um espelho retrovisor de uma Kombi, à beira da estrada onde eu pedia carona)
2. Desmaiei (no mesmo atropelamento aí em cima)
3. Estive numa capotagem
4. Estive num acidente de moto
5. Estive em vários acidentes de carro
6. Saí do corpo durante o sono
7. Tive sonhos premonitórios
8. Encenei peças teatrais
9. Coreografei danças
10. Fui líder disso e daquilo e daquilo outro
11. Fui caluniada barbaramente
12. Fui assaltada (e saí batendo no assaltante com a sombrinha)
13. Perdi muito dinheiro em maus negócios
14. Fui convidada para ser modelo (ai, essa foi atroz -- faz tempo!)
15. Escrevi um livro
16. Tive uma filha
17. Plantei muitas árvores
18. Traí
19. Fui traída
20. Tive dois ou três namorados ao mesmo tempo
21. Fui estuprada
22. Apanhei de homem
23. Bati em homem
26.10.05
Diário de uma Mulher Comum IV (Siga os links para que eu não precise me repetir!)

De repente, sinto-me cheia de vida.
Está certo. Novembro vem chegando e os jasmins logo abrirão. Como não ser feliz com dois jasmineiros carregadinhos no jardim?
Está bem. Admito que quando os amigos me procuram me sinto gente. Um email lindo de alguém recente, que me intriga por seu carinho por mim e que surgiu do nada (mas nada surge do nada. Eu sou fatalista, embora incoerentemente também creia que devemos batalhar para que o destino se cumpra da melhor maneira possível). Um papinho virtual com meu mosquito preferido, meu LH que conheci 20 anos atrás e era magrinho como um palito e que misturava em mim sensações de raiva profunda por ser tão perfeitamente parecido comigo em tudo e um dos maiores amores que já tive por alguém (ia além, muito além, tão além da paixão física que perdurou -- e só perdura assim mesmo, não é, LH?) Meu lindinho guri inspirador de personagens da ficção e para quem escrevi "Reel Around the Fountain", aqui. Ele vive para o trabalho e para seus filhos, hoje em dia. Esqueceu-se dele mesmo. Esqueceu-se de viver um pouquinho. E me encontra no micro e descobrimos (de novo, e de novo, e de novo e sempre) como nos gostamos. Me aquece o coração com sua vontade de simplesmente andar num barco no Rio Guaíba na minha companhia, caminhar e conversar, estar junto, apenas. Eu lhe digo que, quem sabe, quando estivermos ambos com uns 70 anos, ainda estejamos andando de mãos dadas por aí. Quer coisa melhor?
Bem pode ser que eu me sinta assim tão cheia de vida porque meu amigo-irmão-pai-tudo Fernando reapareceu. Tem o dom de me ignorar, mas diz que lê meu blog. Não basta, Fernandinho, tem que me escutar também (mesmo assim, me sinto em casa, satisfeita da vida, com todo o seu apoio, seus conselhos racionais e até com sua mania de fingir que tenta me seduzir. Um dos homens mais cavalheiros e gentis que já conheci na vida, um dos poucos homens românticos de verdade, mais em atos que em palavras, que já cruzaram por meu caminho).
Talvez minha amiga doida, A., tenha me lembrado do que já deixei para trás, quando um lance do destino faz com que, por meu intermédio e por puro "acaso" (claro que acaso não existe) acabamos descobrindo que seu ex estava recebendo aluguel há meses por um imóvel alugado, embolsando tudo quando deveria dividir com ela. Essa mulher tem uma força e uma coragem de viver que me fazem sentir vergonha dos meus problemas (que problemas, meu Deus?). Ela me faz lembrar que ainda sou capaz de ajudar alguém, ainda posso colocar um brilho nos olhos de alguém. E me recorda que sou livre para fazer o que quiser com minha vida, quando tantas mulheres ainda vivem acorrentadas às vontades de parceiros e ex-parceiros.
E aquela grande poeta (não vou usar a palavra "poetisa", eu a abomino) me escreve dando dicas de como comprar seu livro. Sinto-me honrada. Se eu tivesse metade de seu talento, já não estava mais aqui. Tudo na Márcia é agudo, acentuado, seu lirismo vai ao extremo, mas de um modo tão sutil e comovente que, em geral, nem sei como comentar seus posts em seu blog
Talvez eu tenha descansado um pouco de tanta tradução, desde domingo em ritmo mais tranqüilo. Três dias rebobinando meu cérebro e colocando o sono em dia podem ser a explicação.
Não. Acho que me sinto tão viva porque depois de escutar tanta notícia, enchi do Shepard Smith e da FoxNews, desliguei a TV e me inundei de música. Ah, tá certo que ouvir Grace Jones cantanto "I've Seen that Face Before" às nove da manhã me parece meio esquisito, mas antes eu estava ouvindo "Leaving on a Jet Plane"e tudo que a Jann Arden canta, batucando sobre a mesa com o Jamiroquai e reescutando um dos tantos e tantos CDs de MP3, porque já havia enjoado deles. Desenjoei.
Agora Grace Jones canta "Victor Should Have Been a Jazz Musician". Arrã. Eu acrescentaria: Steven, my dear, you too.
Mando uns escritos para meu amigo que ama um urso. Aí, quando me ponho a revisar o texto de ficção que escrevi tanto tempo atrás, a mesma magia volta a acontecer: cada vez que pego aquele texto, algo estala, clica e se acende em meu cérebro e, de repente, transcendo minha realidade ou a vejo com novos olhos e tudo se transforma. Volto a ser feliz.
Esquisito é que nada do que preenche meu espírito, minha alma e meu coração diz respeito a dinheiro. Nada do que me faz feliz depende de qualquer objeto material, roupa nova, corte de cabelo, celular de alta tecnologia, novidades eletrônicas ou viagens fantásticas (exceto ao mundo da minha imaginação).
Poucos dias atrás falei aqui no blog que eu parecia ter praticado bem demais meu joguinho de me esconder do mundo para fingir que era invisível, já que todos pareciam ter me esquecido.
Então todos ressurgem.
Tenho um anjo da guarda muito atento, sem problemas de audição e bem eficiente.
Sabe de uma coisa?
Preciso lembrar com mais freqüência de me pegar de volta, quando me jogo ali no cantinho, quando largo a Dayse cantora, a Dayse da libido a mil e das fantasias intensas, quando me ignoro e me esqueço que, afinal, sem música e sem seus amigos-anjos, a Dayse não vive, apenas sua casca sobrevive e fica minguando e fazendo de conta que ela existe.
I'm fine. Hope I can stay afloat with a little help from my friends. Always.
21.10.05
20.10.05
Querendo me apaixonar, mas sem tempo.
Quando a paixão vem chegando, eu já passei correndo.
Será que isso só acontece comigo,
de não conseguir me encontrar nem comigo mesma,
menos ainda com qualquer outro coração?
Cadê, cadê, cadê de eu conseguir completar a burocracia necessária até o primeiro beijo?
Ai.
Dói.
O pior é que isso mata. Mas bem aos pouquinhos.
18.10.05
Diário de uma Mulher Comum III
Nunca fui uma puritana, para começo de conversa – se fosse, não teria traduzido um manual de sexo hiperliberal, chamado “Prazer & Emoção” (editora Leganto) porque a editora me achava “apropriada” para isso depois de ler um livro meu (que acabou não publicando e ainda está inédito, mas isso é uma outra história) que classificava como “sensual sem ser vulgar”.
Well, então fui conferir a afamada (melhor dizendo “infamous”) gravação da transa da vazia Paris Hilton.
Para quem não sabe, a bonequinha artificial, herdeira dos hotéis Hilton, resolveu “ficar” com um cara qualquer numa determinada noite e o carinha gravou tudo. Ela sabia. Só não sabia que ele pretendia ganhar uma fortuna vendendo a fita. Ganhou uma fortuna e teve de dividir os lucros com a indignada Paris que, depois, amansou e levou tudo na boa. O dinheiro teve o poder de fazer com que um vexame se transformasse apenas em um negócio.
Negócio ou não, eu tenho a dizer uma coisa (antes de todo o resto):
Se é pra fazer, por que não fazer bem feito?
Parênteses.
Um namorado recente (repetindo o que amigos e outros já haviam me dito) comentou que é impressionante o número de mulheres que transam sem nem saberem por quê. Não sentem nada e só dão prazer porque, obviamente, têm uma parte desejada pelos homens e isso basta.
Oh?
Isso basta?
Para eles, sim. Mas para elas, o que acontece? Como alguém vai para a cama para servir de boneca de borracha?
Fecha parênteses.
Paris Hilton, magricela e peituda, sem bunda nem charme, faz sempre as mesmas caras, sempre as mesmas bocas – mas na cama esquece das caras, esquece das bocas e tem cara de nada.
Vi, revi e vi outra vez sua “sessão de sexo” mulher-vinil. Fez de graça (naquele dia, porque depois recebeu os dividendos) e parecia que o cara estava pagando, por que, de outro modo, para que sujeitar-se a algo que obviamente não está lhe dando nenhum, repito, nenhum prazer?
Primeiro, ela parece uma puritana, recusando-se a tocar no cara. Depois, submete-se.
Cara, sexo não é submissão.
Algo está errado com a cabeça de uma mulher, se acha natural tirar a roupa, abrir as pernas e outros orifícios e se deixar ser penetrada enquanto pensa sei lá em quê (mas a cara sem expressão, a boca sem um gemido, a respiração inalterada e o olhar vazio me levam a crer que ela só calcula quanto tempo aquilo ainda vai levar), sem sentir nada.
Algo também está errado com a cabeça desses homens que pensam que à simples visão de um pênis ereto qualquer mulher sai dando gritinhos e têm orgasmos múltiplos.
Eu morreria de vergonha se me filmassem e o resultado fosse aquele. Também morreria de vergonha se me filmassem e eu agisse como uma dominadora (que sou), como alguém que está prestes a morrer de prazer. Mas ainda assim, minha vergonha seria menor do que se me vissem parecendo uma mulher de borracha, na cama.
Surpreendi-me demais com a Paris Hilton. Acho que nem deveria, mas me surpreendi mesmo. Alguém com todos os recursos do mundo à disposição, com possibilidades imensas de ter experiências fantásticas, que tem à disposição todas as novidades da estética, da moda, todos os bons perfumes, viagens e homens à mão, sempre... Alguém assim não conseguiu, nunca, tocar a si mesma. Não encontrou jamais meia hora para olhar-se no espelho, conhecer-se, vasculhar-se, experimentar-se, ir até onde possível sozinha, treinar, descobrir-se e verificar onde dói, onde coça, onde é que atiça, onde lateja, onde parece explodir algo, uma bomba de prazer interna, onde é que se morre de êxtase.
Acho que falta vergonha na cara, a muitas mulheres. E quando digo isso, falo que deveria ser vergonha ser mulher e não agir como fêmea. Fazer de conta que se é sexy, sem saber ser sensual e sem ter nem idéia do que é sentir prazer, deveria ser uma vergonha.
Parece que é algo muito natural, segundo meus amigos, alguns ex-namorados e segundo a Paris Hilton, que em uma entrevista disse, com sua cara plástica congelada em um simulacro de expressão maliciosa: “Vergonha de quê? Fizemos tudo o que um casal jovem e saudável faz.”
No caso dela, uma mulher saudável e jovem faz tudo. Menos sentir prazer.
17.10.05
7.10.05
5.10.05
Hoje acordei pensando no dia em que perdemos tantas horas e, em vez de fazermos amor, discutimos sobre McCartney ou Lennon, argumentando sobre o nosso preferido, escutando horas e horas e horas de Beatles para tentarmos convencer um ao outro de que um era mais digno de nossa admiração que o outro.
Não posso evitar a sensação de que deveria te catar por um dos cantos deste mundo (não que eu não tenha tentado – simplesmente não te encontro mais), fazer-te sentar novamente – agora não numa cadeira de vime, uma das duas únicas que eu tinha na sala do meu primeiro apartamento – para que ouvisses comigo as bobagens que o McCartney andou aprontando.
Jorge, será que estamos todos ficando velhos demais, inclusive o Paul, bem mais que a gente e mais afastado da realidade musical?
Quando varamos a noite, eu e tu, e fomos até as três da tarde sem fazer amor, sem almoçar e sem mais nada, hipnotizados pela gigantesca afinidade que tínhamos, eu defendia o McCartney e tu dizias que ele era banal. O gênio era o Lennon – e contigo praticamente todo mundo concordava.
Agora concordo eu.
Será que o Paul está precisando de grana?
Não creio.
Mas como explicar que seu “Chaos and Creation” tenha quase nada de caos e quase nada de criação? Quase que apenas “Too Much Rain” passa pelo crivo de qualquer coisa. A voz já vacilante do Paul vem cantando todos, todinhos os bordões com mais de trinta anos de idade. Onde estão arranjos incríveis como os de “Band on the Run” (tudo bem, o George não está tocando mais nada na Terra, Ok, impossível querer sua guitarra mesmo)? Onde estão, ainda assim, as letras que, embora simples, eram tão lindas?
A última coisa mais ou menos nova que ouvi do McCartney e gostei nos últimos anos foi “Vanilla Sky”. Depois disso, o cara internou-se em sua poltrona preferida, não ouviu mais música e agora, não sei por que, achou que precisava lançar um álbum descartável com todas as baboseiras batidas que não convencem mais.
Pensando bem, Jorge, acho que faríamos melhor se desligássemos o McCartney das nossas vidas e usássemos aquelas horas todas para fazermos o que precisávamos ter feito tantos anos atrás (mas também, eu não estaria lembrando de ti se apenas tivéssemos feito amor, não é não?). Desta vez acho que precisaríamos esquecer os Beatles para sempre.
Eu nem te perguntaria por que, afinal de contas, nunca explicaste nada quando disseste que eu deveria ter te dito que era canhota desde o primeiro momento em que nos vimos, já que isso mudaria totalmente a tua maneira de me ver. Nunca entendi e talvez eu continue tão lelé da cuca quanto naquele tempo. Mas juro que não tanto quanto o Paul e já não perderia mais tempo discutindo música contigo. Contigo, não.
3.10.05
Não apenas leitora de teu blog.
Não apenas admiradora.
Não apenas imaginar teu rosto.
Não apenas querer sondar teu cérebro.
Queria imensamente encontrar-te.
Tenho a impressão que, ao te encontrar, eu me encontraria em ti.
Não como amor.
Amiga.
Eu te entenderia (quem mais poderia entender-te tanto quanto eu?),
e minha pretensão seria percebida por ti, mas perdoarias,
porque teu coração é imenso.
Se tu te permitisses,
Se numa rua de nossa cidade chovesse
e um vinho nos esperasse,
Se houvesse como (o por que já existe),
Se pudesses me interpretar
como eu sei te traduzir,
Seríamos lindos um pro outro.
E seria lindo fazer de conta que te importas comigo.
25.9.05
Diário de Uma Mulher Comum II
Assistindo a um filme bobo (sobre mãe, sobre mulheres) escutei um diálogo que me fez recordar um dia de minha vida.
Certos dias marcam para sempre. Seja porque alguém querido morreu, seja porque tivemos uma conquista inesquecível, seja porque nos separamos de um amor.
Pensei em perguntar, neste texto aqui, qual foi o dia mais cansativo de toda a sua vida.
Aí lembrei que esta pergunta talvez não seja válida para homens.
Talvez eu deva perguntar às mulheres, e provavelmente muitas delas recordarão um dia assim.
No dia em que me senti mais cansada em toda a minha vida, minha filha tinha 7 meses, estava com dor de ouvido, berrava sem parar, eu estava com uma tosse e congestão pulmonar que beirava a tuberculose, tinha trabalho atrasado, não havia conseguido sequer fazer uma refeição decente, a médica pensava que eu estava grávida novamente (porque eu estava com 47 quilos, parara de menstruar novamente e me transformava rapidamente em um não-ser – esquálida por puríssimo estresse quase mortal) e, quando chegou a noite, queria ao menos um banho, mas não podia me afastar da Letícia, tão doente quanto eu.
Nesse dia, liguei para o pai dela (que teoricamente morava comigo, mas não morava nem desmorava e residia mesmo era na rua, com sua mãe, com seus amigos e sabe-se lá com mais quem). Ele relutou em abandonar o que quer que estivesse fazendo e quando conseguiu aparecer na minha porta foi para dizer que não ia sequer entrar. Pedi-lhe que ficasse pelo menos 10 minutos para eu tomar um banho. Não podia. Disse-lhe que entrasse, sua filha já o vira e estendia os bracinhos. Não podia. Não olhou sequer para ela.
No dia em que me senti mais cansada em toda a minha vida, ouvi o pai da minha filha dizer que “Não posso ficar, já tenho compromisso, é sexta-feira, sou jovem e tenho o direito de me divertir.” E lá se foi. Pela janela, vi que alguém o esperava no carro.
Provavelmente esse dia durou umas 36 horas.
Não lembro como acabou.
Não lembro se tomei banho.
Não lembro se a dor de ouvido da minha filha e a minha tosse passaram. Acho que ambas acabamos desmaiando de cansaço e decepção.
Ninguém consegue sentir-se tão palhaça, tão cansada, velha e maltratada como eu me senti naquele dia.
Passou.
Provavelmente na mesma semana coloquei sacolas dele no corredor, troquei a fechadura, tratei de comer, passei a dedicar a energia que estava dando a um vampiro somente a mim e àqueles que ainda valiam minha vida. Engordei. Recuperei-me.
Como eu costumo dizer, sou uma “time-eater” e não vivo de dores passadas.
Apenas ocasionalmente um filme puxa um arquivo-morto da memória para lembrar que, se hoje me julgo feliz sem homem, sem julgá-los semideuses e sem precisar que um me faça feliz... Well, well, well, quem sobrevive a algumas coisas, sobrevive a praticamente tudo, e certos traumas se não nos matam, é claro que nos fortalecem. Está provado.
7.9.05
A menina que tinha vergonha de falar
Macy Gray, para mim, é preciosa.
Sua voz me arrepia, sempre. Tem um "quê" de Billie Holiday, é sensualíssima, quente.
Não é porque "I Try" marcou provavelmente a última grande paixão que tive. Não :-). Amo Macy Gray porque ela é surpreendente.
Movendo-se, parece uma boneca desconjuntada.
Quando abre a boca, nós abrimos também, de espanto com sua voz de marionete, impossível, estranha, curiosa.
Essa mulher, quando menina, percebeu um dia que todos riam quando ela falava e passou a não falar mais. Quer dizer, falava o mínimo possível. Até o dia em que escreveu umas letrinhas para um amigo ou amiga cantar, alguém não apareceu e ela cantou. E estourou.
Gal Costa também tem uma voz muitíssimo esquisita, quando fala. Mas quando canta...
Algumas mulheres (e homens) têm voz de botequim. Parece que passaram a vida inteira na noite, na fumaça de cigarros e dentro da garrafa. Parece que acordaram agora.
Outras vozes são monótonas, dão sono. Outras, gritam. Algumas são tão metálicas que metem medo.
Eu detesto minha voz. Não é tanto que a considere feia. Não. É que engana. Não suporto me ouvir em gravações e reluto em falar ao telefone (se o assunto for sério, não tenho credibilidade nenhuma com esta voz de "princesinha". Quero trocar minha voz pela voz de qualquer uma das minhas amigas). Tenho voz de menininha. Mas quando canto, canto lindamente, senhoras e senhores.
Nunca se deixem enganar por vozes. Sou uma tigresa, apesar da voz de gatinha.
Macy Gray é uma diva, apesar da voz de fantoche.
I love her. I really love her.
5.9.05
Uma Visão do Inferno (para quem entende inglês)
The dispossessed of New Orleans tell of their medieval nightmare
By David Usborne inside the Houston Astrodome
Published: 04 September 2005
A brand new city has arisen inside the Astrodome in Houston, Texas, population 15,000. Not the best address in America - they gave it its own postal code, 77230 - but it offers some benefits to its residents. It is almost clean, more or less safe and entirely dry. No longer are these people clinging to the roofs of houses above swirling waters or squatting on elevated roadways in the sun unsure if they will live or die.
And, happily, they are no longer cowering in the New Orleans Superdome, a place that turned mad with murders, rapes, suicide, abortions and the ammonia fumes of human waste. Or imprisoned in the convention centre without food or water, in the company of corpses. Those two places of sanctuary became hell-holes of a kind unthinkable in the United States of America. Until last week.
No doubt, the new arrivals in the Astrodome are among the blessed of New Orleans. But most are nowhere near the end of their ordeal. Their faces have that blank, glazed look of people mentally overwhelmed. Thousands have another anguish: loved ones are missing. Some vanished during the chaotic bus transfer from New Orleans to here. They will probably be found - eventually. Others have not been seen or heard from since the first hours of the storm.
Gabrielle Benson, 40, has to think for a second. It is five, she says, the number of her family who are unaccounted for. "I don't know where my mum and dad are and I have three kids of mine who are missing." Two other children are with her. Ms Benson is calm about the missing kids. They survived the storm and were with her in the New Orleans Superdome all last week. They got lost in the pandemonium of boarding the buses. Quite likely, they are in a different city by now.
It is the mess with the buses that makes Ms Benson most angry. She and her family had abandoned their home in the projects last Sunday and fled immediately to the Superdome. The stampede for the buses began on Thursday. She described soldiers of the National Guard barking orders - "Make a hole, make a hole, that was their favourite order," she says - and making no effort to keep parents and children together. "They treated us like dirt, like dirt. They wouldn't even help my kids when they got lost. 'Ma'am, you've got to stay behind the barricade' is all they said." The soldiers did at least give them water while they waited - throwing bottles into the crowd. "Just popping people on the head with them."
But if getting on the buses was hard, what came before was far worse for many among these evacuees. Thousands never made it to the Superdome or to the convention centre. Some now are saying they are glad of it, like Ruby Taylor.
Ms Taylor was not a looter exactly, but the looting helped save her life. She is tall and proud, and 62 years old. Eating a Red Cross dinner here on Saturday of rice, beans and diced beef steak, she describes fleeing her first-floor apartment on Monday, when the water had risen almost to her shoulders, and wading to the local school. "We were fortunate because we had the school kitchens, so we got all the food they was looting and cooked it," she recalls with a brief smile. Surrounded by water on all sides and eventually forced to the third floor of the school, she and everyone else watched in frustration as their SOS signs went unheeded by circling helicopters for two days. "I know they saw our signs," she says. "I know they did." Finally, on Wednesday, boats arrived and they were taken to an interstate causeway just west of the city. There they remained - without food or shelter - for 30 hours, until the first buses arrived.
Many people here described similar hours of desperation in the open air - on elevated roadways, beneath bridges, even in mosquito-infested fields - before the buses arrived. Many had hopped from one location to the next over several days, fleeing the water - from their own home, to homes of friends that were still above the water level, to roofs, and to the elevated roads that are all around the city. Some, like Linda Bertoniere, clung to lampposts to stay alive. Others had to leap from rooftop to rooftop.
Yet, it is the testimony of those who did as they were told and responded to government appeals to take refuge in the New Orleans Superdome and the convention centre who are now coming forth, here and in other evacuee shelters, with stories of deprivation and danger almost too awful to fathom.
Devan Allen is 11 years old. Here with his dad, he gingerly approaches to tell what he saw in the Superdome. They were things no child should witness. Like the moment on Tuesday - or was it Wednesday? The days have blurred together for everyone here - when a man stood on one of the balconies and screamed so everyone could hear that he had lost everyone in the storm and now he would die also. He dived headfirst on to the playing field below, his head bursting open. Devan shouldn't have seen that. Nor should he have heard the gunshots. Nor the whispers of the girls who were raped and stabbed to death, right there with him in the Superdome. Or of the boy who was raped.
"I was scared," says Devan. "I knew that there was rapes going on and they said they were men snatching the boys." He recalls the suicide: "He just jumped right off." Like so many of the adults, he also remembers the ordeal of boarding the buses. "It was a big old crowd all right. It was terrible."
James Allen, his father, is among those boiling with anger with what they found when they fled to the Superdome. "We went there because we thought we would be safe, but instead we were more inmates than anything." James, 31, was born in New Orleans. After what happened in the Superdome, he says, he will never, ever, go back to the city. "I can't go back there after what we've been through." By the last night, he says, the soldiers of the National Guard had given up even patrolling the inside of the arena, leaving it to succumb to its own ugliness and anarchy.
The details of the stories from inside the Superdome vary slightly depending on who is telling them. The accuracy of some of the details cannot yet be proven. It will be one of the elements of the bungling of the rescue effort that will be a subject of official investigations. But Gaynell Farrell, 56, who has worked for the Whitney National Bank in New Orleans for 27 years - her husband rode the storm out in a suburb of New Orleans and has survived - says she is certain of what she saw and heard. If there is an official investigation of events in the arena, Ms Farrell might want to testify.
"You don't want to know what it was like. We had killings, abortions, babies born, toilets stacked up and it was hot, hot, hot." Pressed for details, she doesn't hesitate. She speaks of two girls being raped and murdered inside the dome, one aged seven. The other was 16 and was "slit open" by a knife after she was raped in the woman's bathroom, she says. Much of what she tells is similarly described by several other dome evacuees. A boy aged seven was also raped by two men. (Mr Allen says the rapist was chased down by other men and beaten before being handed over to the soldiers. He claims they also beat him and then threw him from a terrace outside the Superdome to the asphalt, killing him.)
"There was babies born and put in the garbage," Ms Farrell continues. Apparently, someone else found one infant alive and took it to the small clinic they had inside. Almost everyone talks of gunshots in the night, including one shooting of a National Guard soldier. Ms Farrell says the soldier died, others spoke of him being wounded in the leg and surviving. Meanwhile, she adds, a black-market trade flourished in marijuana cigarettes, crack cocaine, guns and alcohol, in plain view of the authorities. Men were flashing their penises at the women, who dared only go to the bathroom in groups of five. When the bathrooms became so foul that going into them was impossible, people began squatting down just anywhere to relieve themselves. "Human beings don't live like that, people in the street don't live like that," she says.
All this weekend, federal officials will interview the heads of each family group in the Astrodome to give them money and some guidance on what to do next. The same process was getting under way at other evacuee centres here in Houston and in several other cities across Texas, including Dallas and San Antonio, and in other southern states. It's everyone's hope that as many people as possible here will somehow find the means to get alternative shelter, maybe in cheap apartments or with relatives in Texas. Some will end up staying in Texas, others will eventually return to Louisiana. Yesterday, announcements would occasionally come over the loudspeakers or on the electronic message boards that used to carry sporting results with the good news for some that friends or family had arrived to pick them up.
But it won't be so easy for most of the souls in here. Many of them are exhausted and quite obviously traumatised by their experiences over the days since Hurricane Katrina hit. "I'm not moving," Ms Benson says flatly. "This is going to be my home. My home for me and my kids." She just prays first that the three children who are missing can be found and brought to her here.
VOICES FROM THE STORM
"None of us have any place to go."
Julie Paul, 57, in a poor area last Sunday, watching New Orleans empty.
"The water's rising pretty fast. I got a hammer and an axe and a crowbar, but I'm holding off on breaking through the roof until the last minute. Tell someone to come get me please. I want to live."
Chris Robinson, Monday, calling from New Orleans.
"There are lots of homes through here worth a million dollars. At least they were yesterday."
Fred Wright, surveying Mobile's Eastern Shore
"I don't treat my dog like that. I buried my dog. You can do everything for other countries but you can't do nothing for your own people. You can go overseas with the military but you can't get them down here."
Daniel Edwards, pointing at a dead woman parked in a wheelchair outside the convention centre.
"I do think the nation would be responding differently if they were white elderly and white babies actually dying on the street and being covered with newspapers and shrouds and being left there."
David Billings of anti-racist organisation, The People's Institute.
"I don't want to see no more water unless I'm taking a bath."
Anona Freeman,before being air-lifted out.
A brand new city has arisen inside the Astrodome in Houston, Texas, population 15,000. Not the best address in America - they gave it its own postal code, 77230 - but it offers some benefits to its residents. It is almost clean, more or less safe and entirely dry. No longer are these people clinging to the roofs of houses above swirling waters or squatting on elevated roadways in the sun unsure if they will live or die.
And, happily, they are no longer cowering in the New Orleans Superdome, a place that turned mad with murders, rapes, suicide, abortions and the ammonia fumes of human waste. Or imprisoned in the convention centre without food or water, in the company of corpses. Those two places of sanctuary became hell-holes of a kind unthinkable in the United States of America. Until last week.
No doubt, the new arrivals in the Astrodome are among the blessed of New Orleans. But most are nowhere near the end of their ordeal. Their faces have that blank, glazed look of people mentally overwhelmed. Thousands have another anguish: loved ones are missing. Some vanished during the chaotic bus transfer from New Orleans to here. They will probably be found - eventually. Others have not been seen or heard from since the first hours of the storm.
Gabrielle Benson, 40, has to think for a second. It is five, she says, the number of her family who are unaccounted for. "I don't know where my mum and dad are and I have three kids of mine who are missing." Two other children are with her. Ms Benson is calm about the missing kids. They survived the storm and were with her in the New Orleans Superdome all last week. They got lost in the pandemonium of boarding the buses. Quite likely, they are in a different city by now.
It is the mess with the buses that makes Ms Benson most angry. She and her family had abandoned their home in the projects last Sunday and fled immediately to the Superdome. The stampede for the buses began on Thursday. She described soldiers of the National Guard barking orders - "Make a hole, make a hole, that was their favourite order," she says - and making no effort to keep parents and children together. "They treated us like dirt, like dirt. They wouldn't even help my kids when they got lost. 'Ma'am, you've got to stay behind the barricade' is all they said." The soldiers did at least give them water while they waited - throwing bottles into the crowd. "Just popping people on the head with them."
But if getting on the buses was hard, what came before was far worse for many among these evacuees. Thousands never made it to the Superdome or to the convention centre. Some now are saying they are glad of it, like Ruby Taylor.
Ms Taylor was not a looter exactly, but the looting helped save her life. She is tall and proud, and 62 years old. Eating a Red Cross dinner here on Saturday of rice, beans and diced beef steak, she describes fleeing her first-floor apartment on Monday, when the water had risen almost to her shoulders, and wading to the local school. "We were fortunate because we had the school kitchens, so we got all the food they was looting and cooked it," she recalls with a brief smile. Surrounded by water on all sides and eventually forced to the third floor of the school, she and everyone else watched in frustration as their SOS signs went unheeded by circling helicopters for two days. "I know they saw our signs," she says. "I know they did." Finally, on Wednesday, boats arrived and they were taken to an interstate causeway just west of the city. There they remained - without food or shelter - for 30 hours, until the first buses arrived.
Many people here described similar hours of desperation in the open air - on elevated roadways, beneath bridges, even in mosquito-infested fields - before the buses arrived. Many had hopped from one location to the next over several days, fleeing the water - from their own home, to homes of friends that were still above the water level, to roofs, and to the elevated roads that are all around the city. Some, like Linda Bertoniere, clung to lampposts to stay alive. Others had to leap from rooftop to rooftop.
Yet, it is the testimony of those who did as they were told and responded to government appeals to take refuge in the New Orleans Superdome and the convention centre who are now coming forth, here and in other evacuee shelters, with stories of deprivation and danger almost too awful to fathom.
Devan Allen is 11 years old. Here with his dad, he gingerly approaches to tell what he saw in the Superdome. They were things no child should witness. Like the moment on Tuesday - or was it Wednesday? The days have blurred together for everyone here - when a man stood on one of the balconies and screamed so everyone could hear that he had lost everyone in the storm and now he would die also. He dived headfirst on to the playing field below, his head bursting open. Devan shouldn't have seen that. Nor should he have heard the gunshots. Nor the whispers of the girls who were raped and stabbed to death, right there with him in the Superdome. Or of the boy who was raped.
"I was scared," says Devan. "I knew that there was rapes going on and they said they were men snatching the boys." He recalls the suicide: "He just jumped right off." Like so many of the adults, he also remembers the ordeal of boarding the buses. "It was a big old crowd all right. It was terrible."
James Allen, his father, is among those boiling with anger with what they found when they fled to the Superdome. "We went there because we thought we would be safe, but instead we were more inmates than anything." James, 31, was born in New Orleans. After what happened in the Superdome, he says, he will never, ever, go back to the city. "I can't go back there after what we've been through." By the last night, he says, the soldiers of the National Guard had given up even patrolling the inside of the arena, leaving it to succumb to its own ugliness and anarchy.
The details of the stories from inside the Superdome vary slightly depending on who is telling them. The accuracy of some of the details cannot yet be proven. It will be one of the elements of the bungling of the rescue effort that will be a subject of official investigations. But Gaynell Farrell, 56, who has worked for the Whitney National Bank in New Orleans for 27 years - her husband rode the storm out in a suburb of New Orleans and has survived - says she is certain of what she saw and heard. If there is an official investigation of events in the arena, Ms Farrell might want to testify.
"You don't want to know what it was like. We had killings, abortions, babies born, toilets stacked up and it was hot, hot, hot." Pressed for details, she doesn't hesitate. She speaks of two girls being raped and murdered inside the dome, one aged seven. The other was 16 and was "slit open" by a knife after she was raped in the woman's bathroom, she says. Much of what she tells is similarly described by several other dome evacuees. A boy aged seven was also raped by two men. (Mr Allen says the rapist was chased down by other men and beaten before being handed over to the soldiers. He claims they also beat him and then threw him from a terrace outside the Superdome to the asphalt, killing him.)
"There was babies born and put in the garbage," Ms Farrell continues. Apparently, someone else found one infant alive and took it to the small clinic they had inside. Almost everyone talks of gunshots in the night, including one shooting of a National Guard soldier. Ms Farrell says the soldier died, others spoke of him being wounded in the leg and surviving. Meanwhile, she adds, a black-market trade flourished in marijuana cigarettes, crack cocaine, guns and alcohol, in plain view of the authorities. Men were flashing their penises at the women, who dared only go to the bathroom in groups of five. When the bathrooms became so foul that going into them was impossible, people began squatting down just anywhere to relieve themselves. "Human beings don't live like that, people in the street don't live like that," she says.
All this weekend, federal officials will interview the heads of each family group in the Astrodome to give them money and some guidance on what to do next. The same process was getting under way at other evacuee centres here in Houston and in several other cities across Texas, including Dallas and San Antonio, and in other southern states. It's everyone's hope that as many people as possible here will somehow find the means to get alternative shelter, maybe in cheap apartments or with relatives in Texas. Some will end up staying in Texas, others will eventually return to Louisiana. Yesterday, announcements would occasionally come over the loudspeakers or on the electronic message boards that used to carry sporting results with the good news for some that friends or family had arrived to pick them up.
But it won't be so easy for most of the souls in here. Many of them are exhausted and quite obviously traumatised by their experiences over the days since Hurricane Katrina hit. "I'm not moving," Ms Benson says flatly. "This is going to be my home. My home for me and my kids." She just prays first that the three children who are missing can be found and brought to her here.
VOICES FROM THE STORM
"None of us have any place to go."
Julie Paul, 57, in a poor area last Sunday, watching New Orleans empty.
"The water's rising pretty fast. I got a hammer and an axe and a crowbar, but I'm holding off on breaking through the roof until the last minute. Tell someone to come get me please. I want to live."
Chris Robinson, Monday, calling from New Orleans.
"There are lots of homes through here worth a million dollars. At least they were yesterday."
Fred Wright, surveying Mobile's Eastern Shore
"I don't treat my dog like that. I buried my dog. You can do everything for other countries but you can't do nothing for your own people. You can go overseas with the military but you can't get them down here."
Daniel Edwards, pointing at a dead woman parked in a wheelchair outside the convention centre.
"I do think the nation would be responding differently if they were white elderly and white babies actually dying on the street and being covered with newspapers and shrouds and being left there."
David Billings of anti-racist organisation, The People's Institute.
"I don't want to see no more water unless I'm taking a bath."
Anona Freeman,before being air-lifted out.
4.9.05
New Orleans
Um artigo na Fox News na internet (Yeah, baby, sou fã da Fox, deu pra notar?). O cara -- negro, gorduchinho, pobre e desalojado -- diz que não sabe onde estão sua mãe, pai, irmãs e irmãos. Ele conta que perdeu tudo o que tinha na vida. Quase choro.
Aí vejo sua camiseta.
"I've got a life back" ("Ganhei uma vida de volta")
O quê??? Hello-o-ou!
Cara, é coincidência, isso?
Ele recebeu essa camiseta feita às pressas especialmente pra gozar da cara dos pobres negros que não conseguiram sair de New Orleans e foram atropelados por água? Será que ao ler o que está escrito em sua própria camiseta ele ri ou chora mais ainda?
A única coisa mais chocante que isso é ver a foto do congestionamento na estrada, no dia em que a evacuação foi ordenada. Brancos. Brancos. Brancos por todos os lados saindo com seus carrões. Na mesma proporção de negros que ficaram pra morrer de fome, sede, afogamento ou tristeza pura e simplesmente.
O esquisito era ver que esses que "evacuavam" tinham espaço de sobra no carro, para levar mais alguém. Mas como não havia um vizinho branco que precisasse de carona, optaram por ir embora rapidinho sem olhar para os negros que, talvez, acenassem à beira da rodovia.
Sociólogos podem entender.
Eu não entendo.
2.9.05
(Ao som de "Longer Than" - Dan Fogelberg)
31.8.05
Resolvi conferir o que vira na TV – as webcams de New Orleans.
Por que é que fui fazer isso?
Quando alguém procura, acha.
Como qualquer pessoa normal, estava e continuo aflita, muito aflita por tudo o que vejo.
Entretanto, em meio a tudo isso, apenas uma cena está fixada em meu cérebro.
Uma da madrugada, horário do Brasil. Eu de olho na câmera instalada no alto de um prédio do qual se avistava o “W Hotel”, outros prédios altos e o céu, muito céu. Eu cuidava o céu, vigiando as nuvens, quando as imagens se embaralharam. Lá fora tudo ainda aparecia, mas estava turvo, com interferências.
De repente, percebi: três pessoas, certamente funcionários daquela sala onde a câmera da web estava instalada, haviam se grudado uma à outra atrás da câmera e seus reflexos se mostravam no vidro da janela onde, supostamente, deveria haver só a vista lá de fora.
Durante mais de meia hora os três lá olhando a rua, eu olhando a tela do micro, a câmera olhando o furacão que vinha, eu olhando para os reflexos daqueles três que olhavam o que a câmera via.
Cheguei a sussurrar: “Saiam daí, até quando vão ficar vigiando?” (claro que em algum momento a câmera teria de sair do ar, e eu sabia disso).
Ficamos nós cinco – os três no reflexo, o olho da câmera e eu, olhando o furacão que chegava, mas achei que meu corpo pedia sono e fui dormir.
Domingo de manhã não havia mais nenhuma imagem. Nada de câmera.
Até agora me pergunto se eles desceram. Se ficaram porque o prédio era alto e agora não conseguem sair porque um ou dois pisos estão cheios de água. Quem se importa com a câmera?
Preocupo-me com eles, que tiravam fotos (e os flashes de suas máquinas pipocavam no vidro da janela aumentando a perturbação na imagem que se via na tela do computador) e esperaram.
Tudo isso é muito surreal. E entre tanta catástrofe, fico aqui pensando em três reflexos que me fizeram companhia na noite de sábado.
Espero que estejam bem.
30.8.05
As fotografias provam que fomos felizes.
As imagens mostram que te amei.
Como nunca percebi, antes, que nas fotos tu prometias abandono e teu olhar não tinha o brilho do meu?
O Correio me traz notícias de quem nunca se interessou por mim. Meu Deus, que coisa antiga, uma carta!
“E não esquece que te amo, viu?” – dizes com letra caprichada e isenta de emoção (nem um tremorzinho sequer?!), depois do início com “Não quero brigar” e de, então, discorreres sobre ti mesma em quatro páginas, sem tocar uma vez sequer em qualquer coisa que me explique como é que alguém que se amou como se a uma filha durante praticamente a vida inteira de repente se afasta da gente, começa a tratar mal, sem explicação, absolutamente sem razão.
Não esquecerei que me amas. E tentarei ficar longe de quem quiser me amar assim. Com amores como o teu, é melhor não ter nenhum.
Hoje guardei meia-irmã, carta, sorrisos e o passado no arquivo.
Hoje tirei a adaga.
Tu estás bem. Na verdade, surpreendentemente bem (ter me machucado como ninguém mais conseguiu no mundo na verdade não te abalou e até parece que te fortaleceu).
Um dia, Viviane, talvez responda à tua carta em tom de comadre, como se nunca tivesses me matado, e também não perguntarei como estás, como tu nunca fizeste comigo. Se a ti só quem importa é tu mesma, para mim será difícil escrever uma carta na qual não pergunto de ti e não falo de mim.
Por isso levarei mais três anos e meio para responder tua carta. E quando a enviar, será uma folha em branco. Pela ausência de assunto, mesmo então.
Eu só queria uma explicação.
Eu só queria que me procurasses.
Se estás bem, fico feliz. Como a mãe que sempre fui, mesmo sendo apenas irmã, acho que é tudo o que posso desejar. Tu me mostras mais, a cada dia, que se deve amar sempre desinteressadamente.
Infelizmente sou muito humana e não estou tão perto do Céu quanto tu, com teus “irmãos” de religião e teu Deus que te ensina a ser cruel. Não gosto de amar sem retorno.
Tirei a adaga que andei carregando por três anos e meio só por pura raiva, hoje. Burra eu, andar por aí sangrando desse jeito como uma mártir, uma santa, quando nunca quis ser uma. Me recuso a esse papel.
Enquanto o ferimento cicatriza, tratarei de ser feliz e esquecer que te amei.
25.8.05
Recebo a notícia de que ela morreu em dezembro.
Eu mesma, tendo herdado um genezinho esquisito dessa que morreu, já sabia de sua partida antes mesmo que me contassem, de modo que não foi surpresa.
Em dezembro do ano passado passei por um período de luto sem morto – os que me conhecem intimamente sabem como é. Eu sou a mulher que anuncia: “Vai morrer alguém, logo”, ou “Fulano está muito doente, mas vai se recuperar”, ou “Vem coisa ruim por aí”. São bem específicos meus pressentimentos. Eu sou o urubu da família (e dos amigos mais próximos, né Paulo P.?), anunciando que está na hora de se despedir porque o trem ‘tá chegando e alguém tem de partir. Desde que me conheço (na verdade, desde os 12 anos), sou eu quem anuncia e vela os mortos quando nem eles mesmos sabem que já morreram, a partir do momento em que (sei lá por que meios) eu soube que para eles não é “vou morrer em um dia qualquer do futuro distante”. Para esses com quem sonho, é pra já. Sou eu quem descobre que fulano está com um problema sério no fígado, ao olhar para seus olhos. Que sicrana nem sabe ainda, mas está com o HIV... Que meu irmão se despede de mim três vezes, que aquilo está doendo, que já sinto saudade e sei que nunca mais o verei, e ele morre uma hora depois, macrobioticamente saudável, se é que isso é possível.
Para não parecer louca, direi apenas que em dezembro eu estava de luto, mas como em geral só sinto o luto, mas nem sempre sei por quem, escrevi no blog “Às vezes, a felicidade é saber que a próxima tragédia ainda não chegou”.
E descubro, no fim da semana passada, que ELA se foi. Em dezembro minha vó morreu louca.
Em agosto (pelo menos desta vez) não preciso mais anunciar que ela morreu. Nem que ninguém vai morrer tão cedo, como anunciei num agosto em que levei minha câmera no Dia dos Pais e avisei em casa: “Vou levar, porque será a última foto do meu pai”. Já falei sobre isso no post “Fotofobia”, aqui no blog.
Não sei para que serve esse conhecimento inútil de tragédias. Não me pergunto mais (já perguntei e só sei que serve para preparar a mim mesma, mais ninguém). Não questiono. Aceito, já que não se foge disso exceto enlouquecendo.
Ninguém receberá, jamais, a notícia de que eu morri louca. De qualquer coisa, menos de medo de enfrentar o mundo de lá e de cá.
P.S. 1 – Para os que não acreditam nisso, apenas ignorem-me que não levarei a mal. Isto não é brincadeira nem palhaçada, para mim.
P.S. 2 – Percebo, cada vez mais, que estou me tornando mais verdadeira neste meu blog, como um dia prometi ao Muso que faria. Também não sei se isso é bom ou ruim, nem aonde isso me levará. Não tenho (mais) medo de me revelar. A lucidez não depende de calar. Nem a loucura vem se falamos. Se minhas verdades às vezes são doloridas, se alguns se “queixam” que meus posts são “muito triiiiiissstessss”, que procurem risadas.
As minhas andam escassas. Meu senso de humor é outro, nem sempre compreendido por alguns na ironia de alguns posts, nos trocadilhos, no fundinho de um poema.
Que seja.
19.8.05
De todos os meus mortos, tu me fazes a maior falta.
Tapo com as mãos meus olhos. Não quero mais te ver, irmão-fantasma.
Tapo com as mãos meus ouvidos. Não quero mais saber.
Tapo a boca. Nem vou mais contar a ninguém que me assombras.
Cubro a mente com um véu de delírio.
Ninguém mais vai morrer no meu mundo.
Está decretado.
14.8.05
12.8.05
10.8.05
Diário de Uma Mulher Comum I

Alguém me disse ontem, que sentirá falta da minha cabeça pensante, quando afastei-me justamente por repensar minha participação em uma lista que, supostamente, deveria manter a elite dos profissionais das letras por sentir que simplesmente não me ajusto.
Recordo esse “precisamos de cabeças pensantes como a sua” enquanto junto cocôs de cachorro do meu gramado úmido ainda, cedinho.
Penso nisso enquanto jogo aquela bosta de saco plástico (ou saco plástico de bosta?) na lixeira da calçada, com o cuidado para amarrar bem as três sacolas para que o lixeiro não precise hesitar nem se sujar, ao levá-lo.
Penso nisso enquanto entro, vou até os fundos do meu quintal e observo minha mudinha de árvore – misteriosa, já que não sei o nome e a ganhei de crianças desleixadas cujo clubinho visava justamente cultivar o verde, mas que deixavam as plantinhas morrendo e criando mato no pátio da escola. A arvorezinha perdeu suas poucas folhas e, agora, exibe uma exuberância de novos brotinhos, verdes e tenros, anunciando que vingou. Um dia saberei se a árvore dá fruto ou flor.
Penso nisso enquanto escuto um “replay” dos acontecimentos da CPMI que assisti até meus olhos arderem e até o “Está encerrada a sessão”irritado e impaciente de seu presidente às 2h18m desta madrugada. Penso nisso enquanto sorrio, recordando o “E eu ia fuder minha vida pelo PT?” de um ex-empresário charmoso e salafrário, inconseqüente, que só lembrou da honra da família quando descoberto. O arrependimento dos sacanas nunca vem enquanto roubam, só ao serem flagrados. Mas sua espontaneidade, o “fuder” pelo qual desculpou-se imediatamente e que arrancou um sorriso dos que o inquiriam, me fazem sorrir.
Eu penso nas cabeças pensantes que, aparvalhadas, vêem os ratos todos a correr, esgotos abrindo-se, podridão escorrendo pelas veias deste país.
Cabeça pensante, eu?
Caro João, sou apenas uma tradutora de jeans velho que insiste em usar batom até limpando cocô de cachorro, uma mulher que passou dos quarenta e adora tomar Nescau fervendo com bastante leite Ninho, que pedala sua bicicleta na marcha pesada no delírio de que isso combata um pouco os efeitos das horas-bunda na frente do micro para defender esse mesmo leitinho Ninho da mãe e da filha.
Sou aquela que, após discutir com a filha e a mandar para a escola, chora, chora, chora e se sente miseravelmente coitadinha. Essa mesma que se julga inútil frente aos intelectuais grosseiros de uma lista de tradutores e prefere sair a quebrar as tamancas na cabeça de alguém.
Limpar cocô, sim. Perder a elegância, jamais.
Eis aqui a patética ilusão de uma cabeça pensante, João. E talvez te iludas apenas porque não estás aqui para ver que minha cama ainda está desarrumada e minhas plantas precisam ser regadas, enquanto minhas idéias mal-alinhavadas ocupam grande parte do meu dia sem jamais serem costuradas em definitivo, minhas palavras andam escassas e cada vez uma porção menor delas sai de minha boca. Um dia, se Deus quiser, ficarei muda.
Cabeça pensante, eu?
Em muitos dias, eu acho que já perdi a cabeça.
E se penso, é porque não dá para evitar.
8.8.05
Adiam a aterrissagem do ônibus espacial. Mais um dia lá em cima.
E a administradora da missão, ao ser indagada na Fox News acerca do ânimo dos astronautas, responde (traduzido livremente -- mas fielmente -- por mim):
-- Ah, estão com um dia totalmente livre hoje. Sabe, será divertido, já que terão o dia inteiro para tirar fotos, descansar com gravidade zero...
ARRÃÃÃÃHN......
Então tá. Gravidade zero dá barato? Só assim.
P.S. - Cliquem na foto para ver que beleza.
7.8.05
Flor

“Bom dia, cara amiguinha.
Como é que eu vou viver sem ler suas mensagens??? Como? Me diz???
Mas quero você de volta!!! Ou ao menos por aqui... ai, meu Deus, acho que vou ter que entrar naquele seu blog e no orkut para ter sua companhia... (é???) mas eu não dou conta de mais internet...
Ah, tô com saudades. É isso.”
Recebo esse e-mail aí, coisa mais linda, coisa mais fofa, coisa mais amorosa. Se fosse de um homem, eu já me sentiria feliz.
Mas foi de uma amiga.
Isso me deixa mais feliz ainda.
Amo você, Cláudia Santi.
(Quanto ao homem, fez com que várias lágrimas que teimaram em escorrer por meu rosto ante-ontem à noite virassem sorriso e eu, que me sentia feia desde o início do dia, me senti linda, flor, querida e limpa – o que em se tratando de um homem, é mais do que muitos me dão! J)
31.7.05
Time-Eater

Algumas pessoas vivem no, para e pelo passado.
Referem-se a ele, sempre. Mencionam tempos gloriosos. Agruras. Frustrações. Recordações de amores. Parecem estar sempre apenas com um pé enfiado no agora e todo o resto (coração, mente) nos dias que já se foram.
Detesto o passado.
Não detesto o que passou, mas detesto lembrar o passado.
Eu não vivo o passado. Não escuto uma música e fico relembrando “um grande amor” e revivendo aquela época. Não vejo o nome de um antigo colega de trabalho no Orkut apenas para ficar horas discorrendo sobre “aquele tempo”.
Eu não suporto viver do que já passou.
Sou dez. Dez Dayses, dez fases de vida, dez mulheres em dez fases e tempos diferentes, e sempre preferirei a de agora e mais ainda a de amanhã.
Não ouço mais as mesmas músicas que ouvia dez anos atrás (pelo menos 90% delas enfiei na lata de lixo mental), não uso o perfume que usava dez anos atrás. Não tenho o mesmo homem que dez anos atrás. Não moro na mesma casa que dez anos atrás.
Se insinuam que sou uma fugitiva de mim mesma, posso sacudir os ombros e responder: “So what?” Não me importo com o que pensavam de mim há dez anos e não me importo com o que pensam hoje.
(Confesso que sou vergonhosamente independente, mental, financeira e emocionalmente)
Na minha vida, há uma única constante: a família
Acredito que nossos passos vão se apagando no tempo, nossas pegadas precisam sumir e jamais devemos repisá-las. O único caminho é em frente.
Não lamento nada. Engulo as lições, jogo fora os bagaços e assimilo os frutos da aprendizagem. E sigo em frente.
Creio que os dias são curtos demais, a vida é absurdamente pequena para tanto que se quer e o coração está sempre ansioso demais por bater, para que se perca tempo reprisando filmes (é, raramente assisto reprises), ouvindo milhares de vezes a mesma música com a mesma emoção (ouça-se, mas com emoções diferentes a cada vez), tentando acertar durante anos a fio com uma mesma pessoa que se mostrou a errada desde o início, apanhando na cara, metaforicamente, por tentar capturar uma sombra fugidia de quem já fomos.
Stephen King criou uma história na qual um monstro indizível, invisível, incrível, engolia com um ruído estrondoso tudo o que já havia passado, quando o dia anoitecia.
Sou assim.
Sou minha própria time-eater – eu devoro meu passado para que ele não acabe por me devorar.
21.7.05
Venho por meio desta solicitar-lhe que providencie a devolução de meu coração, que lhe entreguei em confiança para ser guardado até a data da expiração.
Tendo em vista que a guarda deste bem não foi feita com o empenho necessário e que a chave para que eu possa abri-lo a outro ainda está em seu poder, insisto em meu pedido.
Devolva meu coração que lhe confiei para ser bem cuidado.
Em minha última inspeção, constatei avarias – não decorrentes do uso e desgaste naturais –, com aparentes pontos de ferrugem por falta de uso em seu poder.
Assim, na presunção de que ainda possa recuperá-lo para o bem de quem se oferecer na concorrência que pretendo convocar, envio-lhe anexo a esta um protocolo, para que conste neste sua assinatura comprovando seu conhecimento de que peço de volta o que era meu e que lhe dei de boa-vontade, mas que, sem o retorno esperado – uma vez que apesar da promessa o senhor jamais me entregou o seu –, deverá retornar à detentora original de sua posse.
Não proponha a troca por ações, por favor. Até esta data, o senhor não ofereceu ações que valessem meu investimento.
Desde já agradeço sua atenção, e só não me despeço com um “cordialmente” por motivos óbvios.
